Presentísmo – Um problema do tapete da empresa?

Se perguntarmos a um conjunto de administradores de várias empresas se consideram que os seus colaboradores seriam mais produtivos se fossem mais saudáveis, mais activos, mentalmente focados nas suas tarefas, se tivessem uma relação saudável com os familiares/amigos e se mantivessem um compromisso com a missão da empresa, estou certo que todos diriam que esse seria o modelo de colaborador que desejariam ter. No entanto, se perguntássemos “E o que fizeram até agora para isso?”  as respostas seriam certamente muito mais dispersas. Ou seja, todos nós facilmente concordamos que, para sermos mais produtivos teremos de nos sentir bem com o nosso corpo e sermos saudáveis, mas quantos de nós fazemos algo para concretizarmos este objectivo? Quantos de nós inscrevemos esta preocupação na estratégia global da empresa?

A este propósito, existe hoje claramente descrita uma nova forma de diminuição da produtividade. Conhecíamos já o absentismo, falamos agora de “presenteísmo”. O que significa este novo termo? Diminuição da performance por problemas médicos e psicológicos. Ou seja, o trabalhador está no seu local de trabalho, não falta, mas a sua produtividade é francamente diminuída porque está sem motivação, tem dificuldades físicas (ex: lombalgias, dores de cabeça constantes, astenia etc.), psicologicamente sente-se mal porque se apercebe que não está a produzir o que deveria. É um quadro que todos nós identificamos como extremamente comum. Todavia, ainda que seja frequente, sabe-se que é mais prejudicial para a empresa porque é indetectável. Ou seja, o colaborador está presente, mas produz cada vez menos. É um ciclo vicioso que perigosamente se aproxima do esgotamento físico e psíquico. Esta nova entidade, designada aqui por presenteísmo, é já objecto de estudos de impacto económico e social. As empresas não sofrem apenas com a diminuição da performance, mas acabam, também, por ser oneradas com os custos inerentes à entrada em falência física dos seus colaboradores. Os primeiros dados apontam para prejuízos superiores aos causados pelas faltas dos trabalhadores por doença!

Neste sentido, existe uma cada vez maior procura, por parte das empresas, de programas de acompanhamento e monitorização do estado de “prontidão” dos seus quadros. De forma geral, todos os programas têm de cumprir três passos determinantes: (i) disponibilizar programas de avaliação do estado físico e emocional dos colaboradores; (ii) depois de feito o diagnóstico, implementar programas de compensação dos deficits encontrados e (iii) monitorizar a aplicação e os efeitos do programa.

Desta forma, poderemos criar, por um lado, um sistema de alerta para os possíveis casos de presenteísmo e, por outro, envolver esse colaborador num programa que o ajude a ultrapassar e a resolver uma fase menos boa que, detectada e enquadrada a tempo, poderá ser resolvida.