O princípio da máscara de oxigénio...

Quando entramos num avião, durante as explicações de segurança há uma parte em que na cabine dizem algo deste tipo “em caso de despressurização, as máscaras de oxigénio caiem automaticamente. Deverá colocar a sua em primeiro lugar, respirar calmamente e, só depois, ajudar a criança …”. Não sei se já repararam neste aviso, mas ele tem-me servido de “inspiração”, como se diz agora, para a minha vida. O que retiro deste aviso? Que, para poder tratar dos outros, tenho de tratar primeiro de mim. Caso contrário, como posso ajudar quem quer que seja? Pode parecer um sentimento egoísta, mas não. Profundamente altruísta. Porque para eu poder ser útil à minha família, aos meus amigos, à minha empresa, etc. tenho de estar em boas condições físicas e psíquicas e, para isso, tenho de tratar de mim próprio.

Antes de mais, tenho de cuidar da minha saúde. Como posso trabalhar, ajudar os outros, se não estiver de perfeita saúde? Tenho de ter cuidado com o meu estilo de vida, fazer exercício, ser ativo, fazer os exames médicos aconselhados para a idade, etc. Muita gente pensa que o corpo serve apenas para transportar a cabeça. Trabalho com quadro de topo de muitas empresas, pessoas que ocupam cargos muito exigentes do ponto de vista da responsabilidade, da tomada de decisão e que, por isso, acabam por ter pouco tempo para si próprios. Preocupam-se apenas em ler relatórios, reunir com os seus quadros, elaborar planos e estratégias, mas esquecem-se que, um dia, tudo isso vai poder esperar… Quando fazem um exame de rotina ou algum sintoma os leva a um médico, e o resultado é algo que não estavam à espera, aí as pessoas confrontam-se com a dura realidade de que o corpo não serve apenas para transportar a cabeça… Temos de cuidar dele, caso contrário ele cuida de nós. Começam os exames, as análises, os testes e as reuniões e os relatórios passam para segundo plano. Tudo o que parecia inadiável, passou a ser adiado. E agora, posso perceber como teria sido mais inteligente ter tido um pouco mais de cuidado comigo de forma a poder cuidar dos outros…

Tenho de ter tempo para mim. Também parece egoísta. Mas, de facto, não é. Quando chego a casa depois de um dia de trabalho intenso, de viagens, preciso de descansar, de fazer algo que me dê prazer de forma a relaxar e a poder ter disponibilidade mental para a minha família ou para os meus amigos. O mesmo se passa nos nossos empregos. Se depois de uma série de reuniões intensas, apresentações ou escrita de relatórios, tenho de fazer um “slow down”, um abrandar, arrefecer… de forma a poder ter a calma e a serenidade para abordar os outros, perceber melhor os problemas e encontrar a melhor solução. Está de resto bem demonstrado que o nosso cérebro quando demasiado “carregado” acaba por ter um muito maior risco de decidir pior. Não analisamos todas as variáveis de uma forma imparcial e objetiva, as nossas emoções acabam por contaminar a nossa parte racional e o resultado é o... caos.

Aproveite os momentos para relaxar. Muitos estudos mostram que 5 ou 10 minutos a ouvir uma música calma, a pensar em algo que nos dê prazer, faz baixar a atividade elétrica do nosso cérebro e, por isso, induzir descanso, calma e relaxamento. Se depois de algo que lhe provocou cansaço ou um stress intenso, dê tempo ao tempo… Trate de si, aplique o princípio da máscara de oxigénio e descanse. Depois desse descanso, volte ao trabalho. Vai ver que tudo lhe parece diferente. Não insista em decidir quando está muito cansado. Um estudo recente mostrou que mais de 50% dos erros médicos nas urgências nos EUA se devem a cansaço. Os médicos acabam por tomar decisões erradas, raciocinar de forma deturpada porque estão cansados e isso pode ser trágico.